
Bola, ódio e paixão
- 5 de jun. de 2023
- 4 min de leitura
Atualizado: 18 de jun. de 2023
Experiências de três espectadores diante de uma mesma disputa esportiva

Foto: Henrique Alves
Por Henrique Alves, Juan Brito, Luís Souza, Luiz Kern e Nathália Gonçalves
O esporte sempre busca unir e promover interação entre as pessoas. Jogos, disputas em equipe, diversão e emoção. Eis os objetivos de tais criações humanas, que, no futebol, alcançam o ápice.
Trata-se, afinal, do esporte mais popular no mundo, para além do poder de unir pessoas, independentemente de classes sociais, etnias ou religiões. O que importa é se divertir e marcar gols.
Tal visão, porém, representa o cenário do futebol amador. A esfera profissional do esporte cresceu muito ao longo das décadas, tornando-se uma megamáquina de capital e entretenimento.
O setor movimenta, anualmente, bilhões em dinheiro, e todo time carrega, consigo, histórias de superação de vida, vitórias, derrotas e polêmicas.
Aqui, contudo, não trataremos de tais histórias. Nosso olhar se voltará ao consumidor do futebol: o torcedor. Aquele que vibra e se emociona com o time do coração, ou torce, com todas as forças, contra o time adversário.
Para além do torcedor, vejamos, também, a perspectiva de alguém que não consome futebol. O que ela pensa ao assistir um jogo? Quais suas opiniões após a experiência de um confronto nas quatro linhas?
Pelos olhos dos jornalistas Juan Brito, cruzeirense apaixonado, Nathália Gonçalves, atleticana ferrenha, e Luís Souza, que não é fã do esporte, veremos perspectivas bastante distintas do mesmo jogo: Cruzeiro e Cuiabá, realizado, em Belo Horizonte, no dia 22 de maio de 2023.
Juan, o azul
Como grande torcedor do Cruzeiro desde muito jovem, acompanho todas as notícias e o dia a dia do meu clube. Não perco nenhum jogo e, sempre que possível, estou no Mineirão para apoiá-lo da arquibancada. No dia 22 de maio, tive a oportunidade de assistir, dessa vez, de casa, à partida entre Cruzeiro e Cuiabá, válida pela sétima rodada do Campeonato Brasileiro.
O jogo era fundamental, uma vez que, em caso de vitória, meu time poderia atingir a inédita e surpreendente segunda colocação da competição, além de vencer um forte candidato ao rebaixamento. A expectativa era enorme para o confronto, e apenas a vitória interessava.
No entanto, com o passar do tempo, a empolgação e a ansiedade prévia ao início da partida foram se transformando em nervosismo, estresse e apreensão. Embora as circunstâncias do confronto fossem bastante favoráveis, e indicassem vitória da equipe celeste, o adversário surpreendeu. Diferentemente de muitas equipes melhores que enfrentamos, eles conseguiram anular muito bem nossos principais jogadores, Marlon e Bruno Rodrigues, e nossas jogadas.
Assim, com um cenário completamente adverso, ao se fechar e conseguir assustar em contra-ataques, o Cuiabá tirou o Cruzeiro e todos os seus adversários do conforto. Sem conseguir criar grandes jogadas frente a uma defesa tão bem postada, os erros coletivos e individuais começaram a irritar bastante a torcida. Até que, no final do primeiro tempo, em um dos vários contra-ataques que o adversário conseguiu criar pelo lado esquerdo de nossa defesa, às costas do próprio Marlon, Deyverson conseguiu abrir o placar para o Dourado. Inconformado, não conseguia acreditar no que estava vendo.
A segunda etapa não foi diferente. Com uma defesa ainda mais fechada e recuada, o Cabuloso seguiu com muitas dificuldades para converter seu bom volume ofensivo em chances claras de gol. A cada minuto que passava, era perceptível o nervosismo que tomava conta dos torcedores, e, até mesmo, dos jogadores. Apesar de lutar muito, o time pouco criou, e, mesmo se lançando ao ataque de forma desesperada, não conseguiu assustar o goleiro adversário com frequência. Foi uma atuação frustrante e irreconhecível da equipe treinada por Pepa, que vinha vencendo e convencendo em seus jogos.
A dor e a tristeza me abraçaram de vez. Foi uma longa noite, em que pouco consegui dormir, ao pensar na derrota e nessa péssima atuação. Algo para se esquecer, sem dúvida alguma.
Nathalia, a alvinegra
Como atleticana fervorosa, assistir ao jogo do Cruzeiro é uma experiência cheia de emoções intensas e um grande sentimento de rivalidade.
Cada lance, cada jogada, é uma oportunidade para torcer contra o Cruzeiro com toda a minha paixão por meu time do coração. Vibro a cada falha, a cada bola perdida, e, até mesmo, comemoro quando eles sofrem um gol. É uma sensação indescritível ver a equipe rival a enfrentar dificuldades e a lutar para se sair mal.
Ver o Cruzeiro jogar e secar intensamente é uma forma de demonstrar todo o amor que tenho pelo meu time. É uma experiência carregada de sentimentos, rivalidade e emoção, que faz parte da cultura do esporte.
No final das contas, a rivalidade entre Atlético e Cruzeiro faz parte da essência do futebol mineiro. É uma batalha que nos mantém unidos, nos dá histórias para contar e nos faz valorizar ainda mais as vitórias sobre nosso arquirrival.
Então, com todo meu fervor atleticano, assisto ao jogo do Cruzeiro e seco com toda a minha energia, sabendo que essa rivalidade faz parte da essência do futebol e da minha paixão por meu time do coração.
Luís, o neutro
No dia 22 de maio de 2023, tive a experiência de assistir a um jogo do Cruzeiro contra o Cuiabá. Não estava muito animado, pois, além de não ser torcedor de nenhum dos times, não gosto de futebol.
Penso que este esporte tem enraizado, em sua cultura, muitos fundamentos machistas, homofóbicos e racistas. Essa realidade vem se revertendo atualmente, mas ainda há muitos episódios de preconceito, vindos, principalmente, de alguns torcedores.
Antes que o jogo começasse, preparei pipoca, para que pudesse comer durante a partida. Ajeitei a cama, para que ficasse confortável, e esperei a partida se iniciar. Logo que o árbitro apitou, imaginei que eu teria que ficar longos minutos, ou horas, à espera do fim do jogo.
Como imaginei, o tempo não passava, e parecia que os minutos duravam horas. Durante a partida, fiquei ansioso em alguns momentos, e até arrisquei uns palpites sobre o possível placar e os lances que ocorreram.
No fim do jogo, me senti aliviado, pois, desde o início, não queria assistir àquela disputa. Mas acertei quando disse que o Cuiabá venceria a partida. Em minha opinião, o jogo foi bom, do ponto de vista do entretenimento, pois houve muitas tentativas de ataque para marcar gols, e os dois times estavam dando tudo de si.




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