Quem lidera o progresso?
- 2 de mai. de 2023
- 3 min de leitura
Atualizado: 18 de jun. de 2023
Um líder comunitário.

Foto: Luís Souza
Por Henrique Alves, Juan Brito, Luís Souza, Luiz Kern e Nathália Gonçalves
Afinal, todo bairro ou grupo minoritário conta com alguém capaz de guiar o caminho da ação de todos e todas, para conquista de espaço político. É ele, ou ela, quem administra os recursos que mantêm seus aliados inspirados pelo exemplo de sua garra, de sua atitude.
É ele, ou ela, que enfrenta todos os ataques dos que não aceitam uma sociedade mais inclusiva e igualitária. São humanos que sangram hoje, para que os próximos não precisem sofrer, no futuro, como seus antepassados.
Uma força de ação lidera a transformação de um espaço. Traz, ao centro do debate e da visão pública, as falhas que as lideranças políticas pretendem não enxergar, e realiza a verdadeira mudança na vida da população.

No Morro do Papagaio, comunidade com cerca de 17 mil moradores, em Belo Horizonte, Nil César e Maísa, juntamente à equipe de coordenação, estão à frente dos projetos Casa do Beco e Fazendinha Dona Izabel, voltados à disseminação de cultura e ao bem-estar da população.
Nos dias 22 e 23 de abril de 2023, foi realizado, no Morro e em suas proximidades, o Festival Papagaio Cultural, organizado pelos jovens da comunidade e promovido pela Casa do Beco, Fazendinha Dona Izabel, Muquifu e Cras Vila Santa Rita de Cássia. Ao acompanhar de perto o trabalho, é possível perceber o impacto da cultura sobre a população.
Ao chegando ao festival, vê-se a felicidade das crianças e dos adultos, moradores da comunidade, devido à realização do evento. Os mais velhos conversam, dançam, bebem; as crianças brincam com as bolhas de sabão que pairam no ar, correm por detrás de cada uma, para estourá-las. O sorriso toma conta de seus rostos.
Os jovens organizadores do festival vestem camisa verde, para que possa identificá-los como equipe de produção. O sentimento de acolhimento é algo notável. Ao conversar com pessoas que ali estão, mas não são moradores, a sensação é consensual.
Numa roda de conversa, estão os principais líderes comunitários, a relembrar o passado e todas as conquistas já alcançadas. Naquele grupo, Nil César e Maísa também ajudam, avidamente, a execução do festival.
Os olhos castanhos de Nil observam tudo com delicadeza. Seus gestos rápidos revelam, a quem está ao seu lado, que parece ter nascido para aquilo. Sua voz marcante combina-se à camisa preta.
Durante o evento, ele brinca com as pessoas, dança, conversa e procura sempre ajudar, por exemplo, ao carregar a barraquinha de um morador, que vende seu produto no local. Em momentos de apresentação, ele sobe ao palco e convida o público a vir até a frente, para assistir aos artistas locais.
A todo momento, o líder comunitário demonstra estar muito preocupado para que o evento dê certo. Nota-se que, de certa forma, ele sente que aquela rua é seu palco… e dá um show de carisma.
“Sou filho de uma dona de casa, lavadeira, e de um pedreiro. Atuo na comunidade desde os 11 anos, e, aos 20, montei um grupo de teatro, pois meu sonho era ser galã de uma novela das 21h”, comenta Nil César, ao lembrar que tal ímpeto por trabalhar com arte fez com que seus sonhos se transformassem em realidade: “Percebi que várias pessoas também tinham potencial, e resolvi transformar a vida da comunidade por meio da arte”.
Ao contrário de Nil, Maísa age como se não quisesse ser notada. Ela recebe a visita desta reportagem na Casa do Beco, no dia 25 de abril de 2023. Abre o portão e cumprimenta o jornalista. Em seu rosto, um lindo sorriso; junto aos lábios, os olhos sorriem. Veste uma blusa branca, com a logo de onde trabalha, e sobe as escadas comentando as pinturas na parede.
Mostra o espaço e revela as várias histórias que envolvem o lugar. Além disso, relembra o passado com entusiasmo, e apresenta, com muito carinho, as pessoas que ali estão. Numa das escrivaninhas, quem está sentado? Nil César, bastante ocupado com seu trabalho.
Maísa caminha pelo salão, do qual apresenta cada detalhe. Por fim, pega duas cadeiras pretas e as posiciona uma em frente à outra, para sentar e conversar. Com jeito singelo, fala em como o trabalho que realiza pode mudar a realidade dos moradores da comunidade. Sua positividade preenche aquele salão, até então, vazio.
“Sonho com um morro onde possamos andar em meio às atividades que acontece, e que possamos nos abraçar. Não só o morro, mas o mundo, respeitando-se e sendo verdadeiro”, destaca Maísa, ao revelar seus anseios para o futuro da comunidade.
O trabalho dos líderes segue dia após outro, e cada vez mais pessoas são tocadas pela arte, pela história e pela cultura. Cumpre-se, assim, a missão de construir uma comunidade mais diversa, que conheça suas raízes.
PARA SABER MAIS
Grupo do Beco
Criado em 2003, pelo Grupo de mesmo nome, o ponto de cultura Casa do Beco é a materialização da proposta que busca democratizar o acesso à arte e à cultura como forma de promoção do desenvolvimento humano.
Com programação gratuita e aberta ao público, a Casa oferece oficinas e cursos de teatro, dança, música e outras atividades artísticas para crianças, jovens e adultos, principalmente da comunidade local e de regiões periféricas de Belo Horizonte.
A Casa conta com o Núcleo Artístico, composto pelo Grupo do Beco e pela Companhia Movimento do Beco, que se dedicam à produção de espetáculos teatrais e danças contemporâneas, ao expressar, em cena, a realidade e a identidade cultural das comunidades.
Reafirma-se, desse modo, o forte compromisso com a transformação social e o empoderamento das pessoas, tendo se tornado importante espaço cultural de referência na cidade, reconhecido nacionalmente
Criado em 2003, pelo Grupo de mesmo nome, o ponto de cultura Casa do Beco é a materialização da proposta que busca democratizar o acesso à arte e à cultura como forma de promoção do desenvolvimento humano.
Com programação gratuita e aberta ao público, a Casa oferece oficinas e cursos de teatro, dança, música e outras atividades artísticas para crianças, jovens e adultos, principalmente da comunidade local e de regiões periféricas de Belo Horizonte.
A Casa conta com o Núcleo Artístico, composto pelo Grupo do Beco e pela Companhia Movimento do Beco, que se dedicam à produção de espetáculos teatrais e danças contemporâneas, ao expressar, em cena, a realidade e a identidade cultural das comunidades.
Reafirma-se, pois, o forte compromisso com a transformação social e o empoderamento das pessoas, tendo se tornado um importante espaço cultural de referência na cidade, reconhecido nacionalmente.
Casa do Beco

Criado em 2003, pelo Grupo de mesmo nome, o ponto de cultura Casa do Beco é a materialização da proposta que busca democratizar o acesso à arte e à cultura como forma de promoção do desenvolvimento humano.
Com programação gratuita e aberta ao público, a Casa oferece oficinas e cursos de teatro, dança, música e outras atividades artísticas para crianças, jovens e adultos, principalmente da comunidade local e de regiões periféricas de Belo Horizonte.
A Casa conta com o Núcleo Artístico, composto pelo Grupo do Beco e pela Companhia Movimento do Beco, que se dedicam à produção de espetáculos teatrais e danças contemporâneas, ao expressar, em cena, a realidade e a identidade cultural das comunidades.
Reafirma-se, desse modo, o forte compromisso com a transformação social e o empoderamento das pessoas, tendo se tornado importante espaço cultural de referência na cidade, reconhecido nacionalmente
Criado em 2003, pelo Grupo de mesmo nome, o ponto de cultura Casa do Beco é a materialização da proposta que busca democratizar o acesso à arte e à cultura como forma de promoção do desenvolvimento humano.
Com programação gratuita e aberta ao público, a Casa oferece oficinas e cursos de teatro, dança, música e outras atividades artísticas para crianças, jovens e adultos, principalmente da comunidade local e de regiões periféricas de Belo Horizonte.
A Casa conta com o Núcleo Artístico, composto pelo Grupo do Beco e pela Companhia Movimento do Beco, que se dedicam à produção de espetáculos teatrais e danças contemporâneas, ao expressar, em cena, a realidade e a identidade cultural das comunidades. Reafirma-se, pois, o forte compromisso com a transformação social e o empoderamento das pessoas, tendo se tornado um importante espaço cultural de referência na cidade, reconhecido nacionalmente.
Fazendinha Dona Izabel

Tombada como bem histórico em 2012, a casa da fazendinha foi reerguida como casarão. Em plena manhã de sábado do dia 17 de dezembro de 2022, inaugurou-se a Casa da Fazendinha, imóvel do final do século XIX e início do XX, na Barragem Santa Lúcia, Região Centro-Sul de BH. A administração do espaço pertencerá à Associação Cultural Casa do Beco.
De acordo com as informações da Prefeitura de Belo Horizonte, as obras de restauração do imóvel foram de aproximadamente três anos, a partir de diversos órgãos municipais, como a Secretaria Municipal de Cultura, Fundação Municipal de Cultura, dentre diversos outros. Erguido na antiga colônia Agrícola Afonso Pena, a fazenda existe antes da construção de BH e foi tombada em 1992.
Aos olhos da comunidade, ver o espaço de pé, e sem riscos de cair, é de grande emoção. Durante a inauguração, a alegria tomou conta de tudo, pois foram muitos anos de luta junto aos órgãos culturais.
Acompanhe na íntegra nosso bate papo com os entrevistados:
Bate papo com a Maísa:
Bate papo com o Nil César:




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